25 janeiro, 2026
22 janeiro, 2026
Geonvani gratidão!
Nesse dia 22 de janeiro, sua Páscoa.
Membro da Equipe de apoio da Coordenação das CEBs da Arquidiocese de Maringá.
Gratidão, Geovani, por sua vida doada, pela amizade sincera e pela caminhada fiel nas CEBs.
Seu testemunho de amor, partilha e compromisso com o Reino permanece vivo em nossas comunidades. Seguimos com saudade no coração e esperança na ressurreição. Descanse na paz de Deus.
Meus sentimentos de solidariedade à família e amigos. Que Deus, com sua infinita bondade, conforte todos neste momento de dor e saudade.
19 janeiro, 2026
CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!
Segue texto que escrevi, pensando nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs)
CEBs: Lugar onde a água e a sede se encontram, misturam e complementam!
"Aquele que beber a água que eu vou dar, esse nunca mais terá sede." (João 4,14).
A relação entre as CEBs e João 4,1–42 é profunda. As CEBs são como o poço de Jacó hoje: lugar de encontro, diálogo, escuta, conversão e missão. Nas CEBs, Jesus continua oferecendo a água viva, que gera fé comprometida, vida em abundância e esperança para o povo.
A conversa de Jesus com a mulher samaritana, junto ao poço, revela de forma profunda o jeito de Jesus ser Igreja. Esse mesmo jeito inspira e sustenta a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs).
Jesus se aproxima da realidade concreta da mulher. Ele está cansado, com sede, sentado à beira do poço, lugar cotidiano do povo simples. Assim também são as CEBs: uma Igreja que não espera as pessoas irem até o templo, mas que se faz presente onde a vida acontece, nos poços da existência, nas casas, nos bairros, nas periferias e no campo.
Jesus rompe barreiras sociais, religiosas e culturais. Judeu, conversa com uma mulher, samaritana, considerada excluída e impura. As CEBs vivem esse mesmo espírito quando acolhem os pobres, as mulheres, os marginalizados, os esquecidos, reconhecendo sua dignidade e seu valor. Nas CEBs, ninguém é invisível.
A partir de uma necessidade concreta – a água – Jesus conduz ao anúncio da água viva, que sacia a sede mais profunda: sede de sentido, de dignidade, de justiça e de vida plena. Do mesmo modo, nas CEBs, a Palavra de Deus nasce da realidade do povo e aponta para uma fé que transforma a vida. Não é uma fé distante, mas encarnada, que gera esperança e compromisso.
A mulher samaritana faz um caminho de descoberta. Começa vendo Jesus como um simples homem, depois como profeta, e aos poucos reconhece o Messias. Esse processo lembra a pedagogia das CEBs: caminhar juntos, refletir, partilhar, amadurecer a fé aos poucos, sem imposições, respeitando o tempo das pessoas.
Ao final, a mulher se torna missionária: deixa o balde, volta à cidade e anuncia o que viveu. Assim também acontece nas CEBs: quem experimenta a água viva do Evangelho sente-se chamado a partilhar, organizar, animar, sente pertencente a comunidade. O povo se torna sujeito da evangelização.
A Samaria, o poço sugere o lugar da abertura. Jesus é aberto às riquezas que os Povos de Deus revelam, de forma especial dos pobres e oprimidos. Por isso, mais do que semear e levar “verdades”, Jesus vai reconhecendo a água viva que encontra no íntimo de cada pessoa, no coração de cada ser humano, como encontrou no coração da mulher samaritana. O diálogo de Jesus com a samaritana deixa claro que sua missão é abrir poços, muitas vezes proibidos pelas conveniências sociais, pela lei, pelos muros da exclusão social.
Somos muitas vezes tentados a achar que temos a água e que o povo tem a sede. Esquecemos que, na verdade, todos somos uma mistura de água e de sede. Isso revela em profundidade que o poço é o lugar onde a água e a sede encontram-se, misturam-se e complementam-se. Assim é nas Comunidades Eclesiais de Base.
Oração
"Senhor, só Tu tens palavras de vida eterna! A quem iremos pedir ajuda e salvação? Quero agradecer-Te porque, cada dia, a tua palavra ecoa no meu coração, sempre viva, sempre nova, sempre exigente, sempre provocante. Que jamais me esconda atrás dos meus cálculos mesquinhos. Que eu Te siga pelos caminhos da liberdade e do amor, porque sempre lanças os meus pecados para o fundo do mar, e me dás possibilidade de ressuscitar como nova criatura, amada por Deus Pai. Amém."
Fonte: Dehonianos
16 janeiro, 2026
Vitória histórica: MST conquista assentamento para 2 mil famílias na região Centro do Paraná
Governo Lula firmou acordo nesta quinta-feira (15) e vai destinar 33 mil hectares de terra para a formalização de quatro assentamentos. As mais de 2 mil famílias camponesas estão acampadas há cerca de 10 anos.
Acampamento Herdeiros da Terra de 1º de Maio, no início da organização da comunidade, há mais de 10 anos. Foto: Joka Madruga
Da Página do MST
Em conquista histórica da luta pela terra no Paraná, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou acordo, na tarde desta quinta-feira (15), para a formalização de quatro novos assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região centro do estado.
As cerca de 2 mil famílias camponesas beneficiadas estão acampadas há mais de 10 anos, nas comunidades Dom Tomás Balduíno e Araucária, em Quedas do Iguaçu, Nova Vitória, em Quedas do Iguaçu e Espigão Alto do Iguaçu, e Herdeiros da Terra de 1º de Maio, em Rio Bonito do Iguaçu e Nova Laranjeiras. Mais de 33 mil hectares de terra da madeireira Araupel se tornarão oficialmente áreas de reforma agrária.
As negociações envolveram o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), das Relações Institucionais, da Fazenda, a Procuradoria-Geral da UNIÃO, a Advocacia-Geral da União (AGU), Ministério Público Federal (MPF), Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4), e Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (CEJUSC) do Tribunal de Justiça do Paraná, além do grupo proprietário da empresa Araupel, proprietária das áreas. O valor a ser pago pela área será de cerca de R$ 580 milhões, por meio de precatório – requisição judicial de pagamento emitida pela Justiça para indenização do proprietário, desapropriando a terra pela União para fins de reforma agrária.
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Transferência de Bolsonaro para Papudinha foi ‘dentro da lei e simbolicamente mais humilhante’, avalia cientista político
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a transferência do ex-presidente para cela no famoso complexo do DF
Preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília (DF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) passa a ter novo endereço nesta quinta-feira (15). O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a transferência do capitão reformado, condenado pela trama golpista, para a Papudinha, unidade anexa ao famoso Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal. A mudança, segundo o cientista político Paulo Niccoli Ramirez, é prejudicial para a imagem do líder da extrema direita nacional.
“Essa transferência para a Papudinha tem um efeito pior ainda para o Bolsonaro. Vai contar muito essa ‘tarja’. A Papuda todo mundo conhece. Só o nome da Papuda e, pior, o diminutivo, é uma tarja na testa dos bolsonaristas e do próprio Bolsonaro”, avaliou em conversa com José Bernardes e Larissa Bohrer no jornal Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, minutos após a divulgação da notícia.
Ramirez destacou que a decisão de Alexandre de Moraes foi assinada após pressão feita pela defesa e pelos familiares de Bolsonaro, que pleiteavam a concessão de prisão domiciliar, alegando razões de saúde.
“Alexandre de Moraes, dentro da lei, e de forma simbolicamente mais humilhante, acabou transferindo [Bolsonaro] para outra prisão. E aí ele vai poder ter assistência médica e apoio psicológico, conforme a solicitação da [ex-primeira-dama] Michelle Bolsonaro. Mas prisão domiciliar não vai dar, porque ele tentou romper o lacre da tornozeleira, e essa tentativa fez com que outros condenados também perdessem a possibilidade de estarem em prisão domiciliar”, lembrou o cientista político.
Durante sua carreira como figura pública em Brasília, Bolsonaro deu declarações irônicas sobre o Complexo da Papuda. Em um vídeo que circula nas redes sociais, ele, ainda enquanto deputado, solta uma estrondosa gargalhada após afirmar: “A Papuda lhe espera, boa estadia lá, valeu? Um forte abraço!”. Na ocasião, a mensagem era destinada a parlamentares de esquerda que, supostamente, eram investigados na Operação Lava Jato. Anos depois, as imagens começaram a ser usadas como provocação ao próprio ex-presidente e a seus apoiadores. A tendência é que a gravação volte a viralizar nas próximas horas.
“O Bolsonaro criou um efeito negativo não só sobre sua própria imagem, mas também entre todos os seus aliados que participaram nessa trama golpista. Enfim, cada vez pior a situação de Jair Bolsonaro”, concluiu Paulo Niccoli Ramirez.
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Fonte: Brasil de fato
15 de Janeiro de 2026 - 18:43
Felipe Mendes E José Bernardes E Larissa Bohrer
Crédito: Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP
A Paz existe!
A Mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz 2026 traz como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e apresenta-se como um grito de esperança, o grito de quem não aceita resignar-se com a inevitabilidade da guerra e da violência. E o Papa quer envolver-nos nesse movimento de esperança e de inconformismo, convidando-nos a ser promotores da reconciliação e da solidariedade global.
A paz existe?
Quando olhamos à nossa volta, quando escutamos, vemos e lemos tudo o que os mais diversos meios de comunicação nos transmitem, parece que as guerras são uma fatalidade e que não é possível alcançar a paz que não seja através do recurso à força das armas. Aliás, o Papa alerta-nos para isso mesmo, para o perigo de engrossarmos as fileiras dos fatalistas e derrotistas, que não veem outra saída nas atuais condições geopolíticas mundiais.
Não deixa de ser verdade que a mensagem de Leão XIV surge num contexto internacional extremamente complexo, profundamente marcado por tensões políticas, profundas desigualdades sociais, marginalizações e segregações de diversa ordem, conflitos armados um pouco por todo o lado – o Papa evoca mesmo aquilo que o Papa Francisco definia como a “terceira guerra mundial aos pedaços”.
Num contexto assim, a mensagem de Leão XIV parece demasiado utópica e irrealista. Mas é neste contexto que o Papa vem dizer-nos que “a paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”.” Sim, a paz existe, é dom do Ressuscitado, que assim saúda os discípulos no dia de Páscoa – “A paz esteja convosco!” – aos quais havia dito que lhes daria a paz, mas não como o mundo a dava, porque a que vem de Cristo tem o selo de eternidade.
Paz desarmada e desarmante
A paz existe, mas é preciso acolhê-la no coração e fazer com que ela se espalhe à nossa volta. Para isso, é necessário que todos os que acreditamos no dom da paz do Ressuscitado renovemos o nosso compromisso de sermos construtores de paz e de justiça, defensores e promotores da dignidade humana, da tolerância do diferente e do respeito mútuo.
A paz existe, mas precisa de ser cuidada, respeitada e construída quotidianamente:Uma construção que não se delega, nem nos outros nem muito menos em máquinas. Ela passa pelo compromisso de cada um, numa luta diária contra tudo aquilo que contribui para um mundo superarmado, excessivamente desigual e demasiado dependente de interesses particulares e de nacionalismos exacerbados.
Uma paz que assenta na edificação de pontes e não de muros, na escuta e no diálogo entre povos e culturas. É uma paz que não é mera ausência de guerra, mas fruto da justiça, da solidariedade e do respeito mútuo.
Uma paz que respeita e valoriza a fraternidade universal como caminho essencial – quiçá único – para a superação do ódio, da discriminação e da exclusão social
Uma paz que não deixa ninguém para trás, que cuida dos mais vulneráveis, especialmente dos migrantes e refugiados e de todas as vítimas da violência e da pobreza extrema.
Uma paz que implica o compromisso dos líderes do mundo e dos decisores políticos, a quem o Papa pede a adoção de políticas que promovam o bem comum e a equidade. Uma paz assim é possível, é desarmada e desarmante, porque não brota de calculismos e relação de forças bélicas, mas de corações convertidos e bondosos. E a bondade é desarmante, afirma o Papa. Uma bondade que podemos contemplar na fragilidade e simplicidade da criança nascida na manjedoura de Belém e de onde vem o cântico dos anjos: “Paz na terra”.
A paz, compromisso cristão
Partindo do pensamento de Santo Agostinho e passando por vários documentos da Igreja, da Rerum Novarum de Leão XIII à Pacem in Terris de João XXIII e a Gaudium et Spes, do Concílio Vaticano II, da Caritas in Veritate de Bento XVI à Fratelli Tutti de Francisco, o Papa vem recordarnos que a construção da paz e a promoção da justiça é vocação e compromisso de todos os cristãos, de todos os tempos.
A fé no Ressuscitado torna-nos artesãos de paz, porque o dom da paz que dele recebemos deve levar-nos a trabalhar incansavelmente em favor da reconciliação e do respeito da dignidade de todos e de cada um dos seres humanos. Esta missão assenta na fraternidade universal, transcendendo todo o tipo de barreiras políticas, ideológicas, culturais ou religiosas. A paz começa no coração de cada pessoa, na capacidade de amar, de perdoar, de dialogar e de agir com compaixão. Este é um desafio que deve tocar-nos especialmente, a nós que do Padre Dehon herdámos uma espiritualidade que nasce do Coração compassivo de Jesus e se quer fundada na cordialidade da vida quotidiana: num mundo tão marcado por enormes crises humanitárias, ambientais e sociais, somos convidados a vencer a inércia e a indiferença, a abrir o nosso coração a quem mais sofre, comprometendo-nos na transformação necessária, para que o nosso mundo se torne mais justo, fraterno, pacífico e solidário.
Por tudo isto, parece-nos que a mensagem do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz 2026 é de leitura e de reflexão obrigatórias. Assumimo-la como inspiração para o novo ano que agora começa, como apelo à consciência global, à responsabilidade comunitária e ao compromisso pessoal com a construção da paz, tão urgente num mundo marcado pela insegurança e a instabilidade. A paz existe, façamo-la florescer!
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Comissão Provincial para a Justiça e Paz e Integridade da Criação
Fonte: Dehonianos
14 janeiro, 2026
EUA. Paróquias vigiadas, colaboradores da Igreja deportados e fiéis com medo de ir à missa
A presença frequente de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) junto a paróquias católicas nos EUA onde são celebradas missas em espanhol está a deixar os fiéis com medo e a fazer cair para metade a frequência às mesmas. É o caso da igreja de São Gabriel Arcanjo em Hopkins (Minnesota), a 13 quilómetros do local onde um agente do ICE matou a cidadã americana Renee Good, no passado dia 7 de janeiro. A denúncia é feita pelo pároco, que diz ser o primeiro a sentir-se “intimidado” com a vigilância e considera que esta é “uma violação dos direitos constitucionais”.
A reportagem é publicada por 7Margens, 13-01-2026.
“Parece que não estamos a viver nos Estados Unidos da América, mas em algum lugar violento do terceiro mundo, em algum lugar distante”, lamenta o padre Paul Haverstock, em declarações à Catholic News Agency. “Sim, parece que estamos numa zona de guerra aqui.”
O presbítero recorda o dia 4 de janeiro, domingo, em que estava a paramentar-se para a missa em espanhol das 13h00, quando um paroquiano foi à sacristia dizer-lhe que homens envergando balaclavas estavam dentro de um carro junto à igreja. Perturbado com tal facto, o padre foi buscar o telemóvel e levou-o consigo para o altar. “Se os agentes decidirem entrar, quero ter a certeza de que tudo fica gravado, e quero ter um registo claro de mim a informar os agentes de que estamos no meio de um culto religioso”, justifica.
Não chegou a esse ponto, mas a presença do ICE do lado de fora da igreja impediu o livre exercício da religião pelos fiéis, afirma Haverstock. “Quem não se sentiria intimidado por isso?”, questiona o padre. “Os agentes do ICE estão a aterrorizar qualquer pessoa de boa vontade apenas com a sua presença, usando máscaras e ficando parados do lado de fora da igreja. É assustador. Fiquei com medo quando soube que eles estavam lá. Fiquei com medo pela segurança das pessoas na igreja, inclusive pela minha, e fiquei especialmente com medo pelos imigrantes”, confessa o pároco.
De acordo com o padre Haverstock, mais de 400 pessoas costumavam frequentar a missa em espanhol, mas neste momento apenas metade o faz. O presbítero está até a considerar oferecer uma dispensa temporária da missa dominical para aqueles que estão com medo.
Em declaração à Catholic News Agency, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que o ICE “não faz rusgas em igrejas”, classificando tais alegações como “difamações”. “O facto é que os criminosos não podem mais esconder-se em locais de culto para evitar a prisão. O governo Trump não vai amarrar as mãos de nossos bravos agentes da lei e, em vez disso, confia que eles usarão o bom senso”, acrescentou. “Se um criminoso estrangeiro ilegal perigoso se refugiasse numa igreja, ou se um abusador sexual de crianças estivesse a trabalhar como funcionário, poderia haver uma situação em que uma prisão fosse efetuada para proteger a segurança pública.”
Funcionário da igreja detido e maltratado
A verdade é que um dos funcionários desta paróquia em Hopkins foi já detido há pouco mais de um mês, não na igreja, mas no estacionamento adjacente à mesma. Francisco Paredes, de 46 anos, residente nos EUA há 25 anos, com uma condenação por ter dirigido sob influência de álcool, foi detido pelo ICE a 4 de dezembro de 2025 e levado para um centro de detenção.
Paredes, que trabalhava na manutenção do edifício e pertencia ao coro da igreja, disse que passou cerca de um mês detido no sistema de imigração do ICE antes de ser enviado para o México. Na sequência da detenção, pediu para fazer uma chamada telefónica, mas teve o seu pedido negado por vários dias, pelo que a sua filha, cidadã americana, desconhecia o seu paradeiro. O colaborador da paróquia passou o Natal preso e disse que não teve acesso a nenhum serviço religioso.
No escritório de imigração de Bloomington, Minnesota, para onde foi inicialmente levado, partilhou cela com 40 pessoas. Havia apenas uma casa de banho para os homens, e “qualquer um podia ver quando lá íamos”, relatou.
Cerca de sete horas depois, Paredes foi transferido para a Cadeia do Condado de Crow Wing em Brainerd, Minnesota, e em seguida para Laredo, Texas, onde foi preso no Centro de Detenção do Condado de Webb.
“Eles tratam as pessoas como animais”, denunciou em declarações à Catholic News Agency, detalhando que não eram fornecidas refeições quentes, apenas uma sandes, uma laranja, biscoitos e água, e que todos os detidos dormiam no chão, sem nada com que se cobrir.
Quando o presidente Donald Trump fala em deportar “os piores dos piores”, disse ainda Paredes, “ele não faz a menor ideia. Todas as pessoas que conheci na prisão são pessoas trabalhadoras”.
O padre Haverstock diz que sente falta de Paredes, que era um “funcionário maravilhoso e uma daquelas raras pessoas totalmente bilíngues, pelo que tê-lo por perto foi uma grande ajuda”.
“Devemos estar firmemente determinados a fazer a nossa parte para obter justiça, não apenas para nós mesmos, mas para os nossos irmãos e irmãs, e não apenas para os da Igreja, mas para qualquer pessoa que esteja a ser perseguida, que por acaso seja nosso vizinho”, apela o presbítero. “As famílias não devem ser separadas, exceto por razões extremamente graves. E posso dizer, por experiência própria, pelo que vi e ouvi, que essas deportações e essa pressão massiva do ICE não visam apenas cartéis de drogas, criminosos violentos e reincidentes de crimes graves, mas também mães, pais e famílias que, em alguns casos, não cometeram nenhum crime além de entrar ilegalmente em nosso país, e separar uma família por causa disso é injusto.”
E termina o seu testemunho partilhando aquela que tem sido uma das preces na Oração dos Fiéis já há várias semanas: “Pelos imigrantes que vivem com medo, pelas famílias que foram separadas e por uma reforma imigratória sábia na nossa terra, oremos ao Senhor”.
Fonte: IHU
Lula veta benefícios à venda de jogadores e a regras de fidelidade
Itens constavam da segunda lei de regulamentação da reforma tributária
Sancionada nessa terça-feira (13) em cerimônia em Brasília, a segunda lei de regulamentação da reforma tributária teve trechos vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mudanças atingem, entre outros pontos, a tributação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), programas de fidelidade, regras municipais para a transferência de imóveis e benefícios fiscais específicos.



Ao todo, segundo o Ministério da Fazenda, dez dispositivos do Projeto de Lei Complementar (PLP) 108 foram vetados. As justificativas foram publicadas na edição desta quarta-feira (14) do Diário Oficial da União.
SAFs e venda de jogadores
Um dos principais vetos atinge as SAFs. O texto aprovado pelos parlamentares previa que os valores obtidos com a venda de jogadores ficariam fora da base de cálculo dos novos tributos criados pela reforma. Com o veto, essas receitas voltam a ser tributadas.
Lula também barrou a redução da carga tributária das SAFs de 6% para 5%. Com a decisão, a alíquota total ficará em 6%, dividida da seguinte forma:
• 4% de tributos não alterados pela reforma;
• 1% de Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal;
• 1% de Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tributo estadual e municipal.
Segundo a equipe econômica, a redução contrariaria a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que veda a criação de novos benefícios tributários sem compensação.
Programas de fidelidade
Outro veto relevante trata dos programas de fidelidade. O Congresso havia incluído dispositivos que permitiam a tributação de pontos não onerosos, como milhas concedidas por cadastro, promoções ou compensações por atraso de voo.
A pedido do Ministério da Fazenda, Lula vetou a mudança. Assim, esses pontos continuam fora da base de cálculo do IBS e da CBS.
Cashback para gás canalizado
Outro ponto barrado foi uma regra que estendia o cashback, devolução de tributos à população de menor renda, para o gás canalizado. O Congresso tinha incluído a possibilidade de ressarcimento em operações de tributação monofásica, com cobrança em apenas um elo da cadeia produtiva, o que beneficiaria o fornecimento de gás canalizado. A equipe econômica avaliou que a exceção criaria incompatibilidade com o modelo geral do sistema.
Regulamentado na primeira lei complementar da reforma tributária, sancionada em janeiro do ano passado, o cashback prevê 100% de devolução da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e de pelo menos 20% do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) à população de baixa renda sobre:
• Água;
• Botijão de gás;
• Contas de telefone e internet;
• Energia elétrica;
• Esgoto.
Para os demais produtos e serviços, o ressarcimento equivalerá a 20% da CBS e do IBS. No caso do IBS, os estados e municípios terão autonomia para definir se a devolução será maior que 20%.
Alimentos líquidos e ITBI
O presidente também vetou a inclusão genérica de “alimentos líquidos naturais” na lista de produtos com redução de 60% das alíquotas. Segundo a Fazenda, a redação era ampla demais e poderia gerar distorções na concorrência entre leites e sucos. O Congresso tinha incluído esse trecho na lei para beneficiar itens como leites vegetais.
Outro veto atingiu o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), cobrado pelos municípios. O projeto previa a possibilidade de o pagamento do imposto ser antecipado para o momento da formalização do título de transferência. A medida foi barrada após pedido da Frente Nacional de Prefeitos, que apontou dificuldades de adaptação entre os municípios, já que cada prefeitura arrecada o tributo de uma maneira.
Zona Franca e simulação
Lula também retirou do texto a atribuição exclusiva da Superintendência da Zona Franca de Manaus para regulamentar procedimentos de verificação e fiscalização, ampliando o escopo da norma.
Além disso, foi vetada a definição legal de “simulação” como fraude fiscal. Segundo a Fazenda, o conceito proposto divergia de interpretações consolidadas no Judiciário, o que poderia gerar insegurança jurídica.
Com a sanção e os vetos, a segunda etapa da regulamentação da reforma tributária entra em vigor. No entanto, o Congresso ainda poderá analisar a derrubada ou manutenção dos vetos presidenciais.
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Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
09 janeiro, 2026
Oração
"Senhor, se quiseres, podes purificar-me». Purifica-me todo o meu pecado: do meu egoísmo, da minha autossuficiência, da minha dissipação. Estende-me a tua mão, toca-me e faz-me ouvir a tua palavra salvadora: «Quero, fica purificado». Então, serei um membro vivo e ativo da minha comunidade, da Igreja. Então, terei ouvidos para escutar a tua palavra, olhos para contemplar o teu amor, mãos para participar na realização da tua obra de salvação no mundo. Então, poderei apresentar-me diante de Ti, participar da tua intimidade, da tua vida e, Contigo apresentar-me diante do Pai para rever a minha vida e a minha missão, à luz do seu projeto de amor. Faz-me redescobrir o dom da oração e conduz-me ao Cenáculo para reviver o mistério do Pentecostes e reavivar em mim o dom do teu Espírito. Amém."
Fonte: Dehonianos
Senado dos EUA aprova resolução para barrar Trump contra Venezuela
Texto teve apoio de 5 republicanos e deve passar por mais votações
O Senado dos Estados Unidos (EUA) aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que determina a interrupção do uso da força contra a Venezuela sem autorização expressa do Congresso Nacional.



“Esta resolução conjunta orienta o Presidente a cessar o uso das Forças Armadas dos EUA em hostilidades dentro ou contra a Venezuela, a menos que uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar para tal fim tenha sido promulgada”, diz o documento aprovado.
Apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, a resolução foi aprovada por 52 votos contra 47, tendo recebido o apoio de cinco senadores republicanos, do partido do presidente Donald Trump. Já um senador republicano não votou.
O texto, porém, precisa ser novamente aprovado pelos senadores e deve passar ainda pela Câmara dos Representantes dos EUA, com maioria de republicanos. A resolução ainda precisaria vencer um provável veto do presidente Donald Trump para entrar em vigor.
Ao justificar a resolução, o senador democrata Kaine disse que apoia o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, mas defendeu que novas ações tenham autorização legislativa.
“As declarações do presidente de que os EUA governarão a Venezuela por anos deixam claro: seus planos vão muito além de Maduro. Isso significa que o Congresso precisa se manifestar”, destacou Kaine antes da votação.
A oposição argumenta que a invasão da Venezuela foi ilegal uma vez que a Constituição dos EUA exige aprovação do Parlamento para declaração de guerras.
A senadora republicana Susan Collins disse que, apesar de apoiar a captura de Maduro, ela deseja afirmar o poder do Parlamento de autorizar ou limitar qualquer futura atividade militar na Venezuela.
“Não apoio o envio de mais forças americanas ou qualquer envolvimento militar de longo prazo na Venezuela ou na Groenlândia sem autorização específica do Congresso. A resolução que apoiei hoje não inclui nenhuma menção à operação de retirada. Em vez disso, reafirma a capacidade do Congresso de autorizar ou limitar qualquer atividade militar prolongada futura na Venezuela”, disse a parlamentar em comunicado oficial.
Ao ser questionado sobre o tema após a invasão da Venezuela, o secretário do Departamento de Estado dos EUA, Marco Rubio, havia argumentando que a invasão não seria uma guerra, mas apenas a prisão de duas pessoas. Na ação, Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados por militares estadunidenses.
Trump reage
Ao comentarm em uma rede social, aprovação da resolução, o presidente dos EUA disse que os republicanos deveriam se envergonhar dos senadores que votaram com os democratas para privar o poder de “lutar e defender os EUA”. Trump disse que esses parlamentares “jamais deveriam ser eleitos novamente”.
“Essa votação prejudica gravemente a autodefesa e a segurança nacional americanas, impedindo a autoridade do presidente como comandante-em-chefe. De qualquer forma, e apesar da ‘estupidez’ deles, a Lei dos Poderes de Guerra é inconstitucional, violando totalmente o Artigo II da Constituição, como todos os presidentes e seus respectivos Departamentos de Justiça já determinaram antes de mim”, disse.
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Fonte: Agência Brasil
Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 08/01/2026
05 janeiro, 2026
Barbárie na Venezuela expressa a dinâmica do poder no mundo
No sábado (3) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que forças do país realizaram “com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, junto com a primeira-dama, Cilia Flores, capturado e retirado do país”.
O bombardeio aéreo do governo Donald Trump dos EUA, viola a soberania da América Latina e tem um profundo significado para o Brasil e o mundo. Vivemos em um mundo marcado por grandes desigualdades. Alguns países concentram poder, riqueza e influência; outros sofrem com pobreza, crises e dependência econômica.
A relação entre Estados Unidos e Venezuela, revela muito mais do que conflitos diplomáticos pontuais, ela expressa a dinâmica do poder no mundo. A Venezuela é um país da América Latina que possui uma das maiores riquezas do mundo: o petróleo. Essa riqueza, em vez de garantir bem-estar ao povo, tornou-se motivo de disputa internacional.
Os Estados Unidos, potência mundial, têm adotado contra a Venezuela sanções econômicas, bloqueios financeiros, pressões políticas e isolamento internacional. Esses ataques nem sempre são militares, mas atingem fortemente a vida do povo.
O petróleo é fundamental para a economia mundial. Quem controla o petróleo controla parte do poder global, quando a Venezuela decidiu: controlar seu próprio petróleo; reduzir a influência de empresas estrangeiras e usar parte da riqueza para políticas sociais - passou a ser vista como uma ameaça aos interesses das grandes potências. Isso nos ajuda a entender que, muitas vezes, os conflitos não acontecem por causa da democracia, mas por causa do dinheiro, da energia e do controle econômico.
O petróleo continua sendo fator decisivo de dominação - o mundo não é regido apenas por normas internacionais, mas por relações de força, a soberania nacional entra em choque com os interesses das grandes potências.
Vivemos um cenário em que a disputa não é apenas entre países, mas entre modelos de mundo: um centrado no mercado e no lucro, outro que busca (com limites e contradições) maior autonomia e justiça social.
Quando um país poderoso impõe bloqueios que aumentam o sofrimento do povo, isso entra em contradição com o projeto de Deus - Jesus não impôs seu Reino pela força, mas pelo serviço, pelo diálogo e pela misericórdia. A democracia verdadeira não pode ser usada como discurso para justificar dominação. Não se trata de defender governos, mas de defender os povos, a soberania, a paz e a justiça.
31 dezembro, 2025
Taxa de desemprego chega a 5,2%, a menor desde 2012
Número de pessoas ocupadas também é recorde: 103,2 milhões
A taxa de desemprego no trimestre encerrado em novembro ficou em 5,2%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 



Trata-se da menor taxa de desocupação desde 2012, medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) Contínua.
Segundo o IBGE, de setembro a novembro, 5,6 milhões de pessoas estavam desempregadas, o menor número de desocupados já registrado pela pesquisa.
Ao longo da série histórica, o maior contingente de desocupados ocorreu no trimestre encerrado em março de 2021, auge da pandemia de covid-19, quando esse o indicador registrou 14,9 milhões de pessoas sem emprego formal.
Ocupação
A menor desocupação da série histórica foi também, de acordo com o IBGE, acompanhada por um novo recorde no número de pessoas ocupadas no país: 103,2 milhões.
O nível de ocupação, isto é, a proporção de pessoas com 14 anos ou mais de idade que estavam trabalhando, chegou ao maior percentual da série histórica da PNAD Contínua: 59,0%.
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Publicado pela Agência Brasil em 30/12/2025 - 14:52
Brasil cria 85,8 mil vagas de trabalho em novembro
O Brasil gerou 85.864 postos de trabalho no mês de novembro, resultado de um total de 1.979.902 admissões e 1.894.038 desligamentos. 



Os dados fazem parte do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (30) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Acumulado
Os números mostram que, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, foi verificado um saldo positivo de 1.895.130 postos de trabalho, decorrentes de 25.055.514 admissões e 24.160.384 desligamentos.
Desse total de 1,895 milhão, 1,462 milhão eram postos de trabalho típicos e 434 mil eram não típicos.
São considerados não típicos os trabalhadores aprendizes, intermitentes, temporários, contratados por CAEPF e com carga horária até 30 horas.
Ainda de acordo com o novo Caged, no acumulado dos últimos 12 meses (dezembro de 2024 a novembro de 2025), o saldo positivo é de 1.339.878 postos de trabalho, montante menor que o saldo observado no período de dezembro de 2023 a novembro de 2024 (1.781.293 postos).
Setores
De acordo com o balanço apresentado pelo titular da pasta, Luiz Marinho, apenas dois dos cinco grandes grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos: o comércio (+78.249 ou +0,7%) e o setor de serviços (+75.131 ou +0,3%). Registraram saldos negativos a agropecuária (-16.566 ou -0,8%), a construção (-23.804 ou -0,7%) e a indústria (-27.135, ou -0,2%).
Em novembro, foram registrados saldos positivos em 20 unidades federativas, com maiores saldos absolutos em São Paulo (+31.104), Rio de Janeiro (+19.961) e Pernambuco (+8.996).
Os estados com menores saldos absolutos de geração de empregos no mês passado foram Minas Gerais: (-8.740 postos ou -0,1%), Goiás (-8.413 ou -0,5%) e Mato Grosso: (-5.802 postos ou -0,5%).
Salário médio
O salário médio real de admissão em novembro de 2025 foi de R$ 2.310,78, praticamente estável em relação ao mês anterior (R$ 2.305,00). Houve variação positiva de R$ 5,78 (+0,3%). Já em comparação com o mesmo mês do ano anterior, o que desconta mudanças decorrentes da sazonalidade do mês, o aumento foi de R$ 67,95 (+3,03%).
Para os trabalhadores considerados típicos o salário real de admissão foi de R$ 2.355,56 (1,9% mais elevado que o valor médio), enquanto para os trabalhadores não típicos foi de R$ 1.991,42 (13,8% menor que o valor médio).
*Matéria ampliada às 15h59
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Publicado pela Agência Brasil em 30/12/2025 - 14:52
Reporte Paula Laboissière
TST diz que greve nos Correios não é abusiva, mas autoriza desconto
Com o fim do julgamento, os trabalhadores devem retomar o trabalho
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) julgou como não abusiva a greve dos trabalhadores dos Correios, que completou duas semanas, nesta terça-feira (30), e manteve a validade das cláusulas pré-existentes no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria do ano anterior (2024/2025), incluindo a determinação de reajuste de 5,10% sobre os salários, com base na inflação do período de um ano até a data-base. Os termos foram definidos pela ministra relatora do processo, Kátia Magalhães Arruda, que foi acompanhada pela maioria dos demais ministros da Seção Especializada de Dissídios Coletivos (SDC) da Corte trabalhista.



Apesar da declaração de legalidade do movimento paredista, trabalhadores que paralisaram as atividades terão as faltas descontadas nos salários, em valores que serão divididos em três parcelas mensais, sucessivas e iguais, apurados de forma individualizada em relação à cada empregado. A greve foi deflagrada o dia 16 de dezembro.
A decisão encerrou o julgamento do dissídio coletivo da categoria, pondo fim a uma campanha salarial cuja data-base (referência para os reajustes) estava fixada no 1º de agosto. Com o fim do julgamento, os trabalhadores devem retomar o trabalho normalmente nesta quarta-feira (31). Na semana passada, a relatora já havia determinado que 80% do efetivo dos Correios fosse mantido, dado o caráter essencial do serviço postal. A greve estava concentrada em nove estados: Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
A mobilização dos trabalhadores dos Correios ocorre em meio a um momento delicado nas finanças da estatal, que acumula déficits bilionários. Ontem, a empresa anunciou um plano para fechar até 6 mil agências e demitir cerca de 15 mil empregados. A companhia, cujo capital é 100% público, estuda ainda um aporte de R$ 12 bilhões por meio de linhas de crédito abertas nos maiores bancos do país.
"O resultado reflete aquilo que nós vínhamos trabalhando, cobrando da empresa, e retratamos tudo isso aqui dentro do TST, que é a garantia dos nossos direitos, com a garantia da reposição salarial. Claro que não tivemos, na plenitude, tudo que esperávamos, mas foi um julgamento que retrata a expectativa da categoria. Passamos os últimos 16 dias dizendo que a categoria não é responsável por essa crise", afirmou Emerson Marinho, secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect), uma das lideranças à frente da negociação com a direção dos Correios.
Procurada pela Agência Brasil, a empresa não se manifestou sobre o julgamento do TST até o fechamento da reportagem.
A manutenção das cláusulas pré-existentes no acordo coletivo de trabalho anterior vai vigorar por um ano, na forma de uma sentença normativa do TST, até a data-base de 1º de agosto. Depois disso, no entanto, elas deixarão de valer e entidades sindicais e empresa deverão negociar do zero, a partir de 2026. Esse cenário pode favorecer a intenção da direção da empresa de flexibilizar contratos de trabalho, com redução de benefícios como forma de cortar ainda mais despesas.
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Publicado pela Agência Brasil em 30/12/2025
Reporte Pedro Rafael Vilela
30 dezembro, 2025
Que façamos acontecer um feliz ano novo!
A você e os seus, que acompanha, que visita meu Blog, que façamos acontecer um feliz ano novo.
Que 2026, mesmo em meio aos desafios, seja um tempo de fraternidade que une, justiça que restaura e paz que nasce do cuidado com a vida.
Que não falte coragem para defender a dignidade dos pequenos, esperança para recomeçar onde houve dor, e fé para seguir construindo, passo a passo, um mundo mais humano e solidário. Como nos lembram as comunidades e a caminhada do povo de Deus, ninguém se salva sozinho: é na partilha, na escuta e no compromisso que a paz aconteça.
Que cada gesto simples se transforme em sinal do Reino.
Feliz 2026, com fé, compromisso e esperança!
Mensagem do Santo Padre Leão XIV - Para o LIX Dia Mundial da Paz
Mensagem do Santo Padre Leão XIV - Para o LIX Dia Mundial da Paz
1 de Janeiro De 2026
A paz esteja com todos vós.
Rumo a uma paz desarmada e desarmante
“A paz esteja contigo!”.
Esta antiga saudação, presente ainda hoje em muitas culturas, ganhou novo vigor nos lábios de Jesus ressuscitado na noite de Páscoa. «A paz esteja convosco!» ( Jo 20, 19.21) é a sua Palavra que não só deseja, mas realiza uma mudança definitiva naqueles que a acolhem e, consequentemente, em toda a realidade. Por isso, os sucessores dos Apóstolos exprimem todos os dias e em todo o mundo a revolução mais silenciosa: “A paz esteja convosco!”. Desde a noite da minha eleição como Bispo de Roma, quis inserir a minha saudação neste anúncio coral. E desejo reiterá-lo: esta é a paz do Cristo ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante. Ela provém de Deus, o Deus que nos ama a todos incondicionalmente. [1]
A paz de Cristo ressuscitado
Quem venceu a morte e derrubou as barreiras que separavam os seres humanos (cf. Ef 2, 14) foi o Bom Pastor que dá a vida pelo rebanho e tem muitas ovelhas que estão fora do seu redil (cf. Jo 10, 11.16): Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos.
Na verdade, o contraste entre as trevas e a luz não é apenas uma imagem bíblica para descrever o sofrimento do qual está a nascer um mundo novo: é uma experiência que nos atravessa e nos surpreende diante das provações que encontramos nas circunstâncias históricas em que vivemos. Ora, para não afundarmos na escuridão, é necessário ver a luz e acreditar nela. Trata-se de uma exigência que os discípulos de Jesus são chamados a viver de maneira única e privilegiada, mas que, de muitas maneiras, sabe abrir caminho no coração de cada ser humano. A paz existe, deseja habitar-nos, tem o poder suave de iluminar e alargar a inteligência, resiste à violência e a vence. A paz tem o sopro da eternidade: enquanto ao mal se ordena “basta!”, à paz se suplica “para sempre”. O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite.
Infelizmente, o contrário é possível, ou seja, esquecer a luz: assim, perde-se o realismo e se cede a uma representação parcial e distorcida do mundo, sob o sinal das trevas e do medo. Atualmente, não são poucos aqueles que chamam de realistas as narrativas privas de esperança, cegas à beleza dos outros e esquecidas da graça de Deus que sempre age nos corações humanos, por mais feridos que estejam pelo pecado. Santo Agostinho exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se à sua comunidade, ele escreveu: «Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa». [2]
Queridos irmãos e irmãs, quer tenhamos o dom da fé, quer pareça que não o temos, abramo-nos à paz! Acolhamo-la e reconheçamo-la, em vez de a considerarmos distante e impossível. Antes de ser um objetivo, a paz é uma presença e um caminho. Mesmo que seja contestada dentro e fora de nós, como uma pequena chama ameaçada pela tempestade, guardemo-la sem esquecer os nomes e as histórias daqueles que a testemunharam. É um princípio que orienta e determina as nossas escolhas. Também nos lugares onde só restam escombros e onde o desespero parece inevitável, ainda hoje encontramos quem não esqueceu a paz. Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.
Uma paz desarmada
Pouco antes de ser capturado, num momento de intensa confidência, Jesus disse aos que estavam com Ele: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo, que Eu vo-la dou». E imediatamente acrescentou: «Não se perturbe o vosso coração nem se acobarde» (Jo 14, 27). A perturbação e o medo podiam, certamente, referir-se à violência que em breve se abateria sobre Ele. De modo ainda mais profundo, os Evangelhos não escondem que o que desconcertou os discípulos foi a sua resposta não violenta: um caminho que todos, Pedro em primeiro lugar, contestaram, mas que o Mestre pediu que seguissem até ao fim. O caminho de Jesus continua a ser motivo de perturbação e medo. E Ele repete com firmeza àqueles que gostariam de defendê-lo: «Mete a espada na bainha» (Jo 18, 11; cf. Mt 26, 52). A paz de Jesus ressuscitado é desarmada, porque desarmada foi a sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais. Os cristãos devem tornar-se, juntos, testemunhas proféticas desta novidade, conscientes das tragédias das quais muitas vezes foram cúmplices. A grande parábola do juízo universal convida todos os cristãos a, conscientemente, agir com misericórdia (cf. Mt 25, 31-46). E, ao fazê-lo, encontrarão ao seu lado irmãos e irmãs que, por caminhos diferentes, souberam ouvir a dor dos outros e se libertaram interiormente do engano da violência.
Embora hoje não sejam poucas as pessoas com o coração pronto para a paz, um grande sentimento de impotência as invade diante do curso cada vez mais incerto dos acontecimentos. Já Santo Agostinho, com efeito, assinalava um paradoxo particular: «Não é difícil possuir a paz. É mais difícil, quando muito, louvá-la. Se quisermos louvá-la, precisamos de ter capacidades que talvez nos faltem; devemos procurar as ideias certas, ponderar as frases. Se, em vez disso, quisermos tê-la, ela está lá, ao nosso alcance, e podemos possuí-la sem qualquer esforço». [3]
Quando tratamos a paz como um ideal distante, acabamos por não considerar escandaloso que ela possa ser negada e que até mesmo se faça guerra para alcançá-la. Parecem faltar as ideias certas, as frases ponderadas, a capacidade de dizer que a paz está ao nosso alcance. Se a paz não for uma realidade experimentada, guardada e cultivada, a agressividade espalha-se, tanto na vida doméstica, quanto na vida pública. Na relação entre cidadãos e governantes, chega-se a considerar uma culpa o não estar suficientemente preparado para a guerra, para reagir aos ataques e para responder à violência. No plano político, essa lógica de oposição, muito além do princípio da legítima defesa, é o dado mais atual numa desestabilização planetária que a cada dia se torna mais dramática e imprevisível. Não por acaso, os repetidos apelos para aumentar as despesas militares – e as escolhas que disso decorrem – são apresentados por muitos governantes com a justificativa da periculosidade alheia. Na verdade, a força dissuasiva do poder e, em particular, a dissuasão nuclear, encarnam a irracionalidade de uma relação entre os povos baseada não no direito, na justiça e na confiança, mas no medo e no domínio da força. Como já escrevia São João XXIII na sua época: «O resultado é que os povos vivem em terror permanente, como sob a ameaça de uma tempestade que pode rebentar a cada momento em avassaladora destruição. Já que as armas existem e, se parece difícil que haja pessoas capazes de assumir a responsabilidade das mortes e incomensuráveis destruições que a guerra provocaria, não é impossível que um fato imprevisível e incontrolável possa inesperadamente atear esse incêndio». [4]
Pois bem, ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial. [5] Mais ainda, parece que os novos desafios devem ser enfrentados atualmente não só com um enorme esforço económico para o rearmamento, mas também com um realinhamento das políticas educativas: em vez de uma cultura da memória, que preserve a consciência adquirida no século XX e não esqueça os milhões de vítimas, promovem-se campanhas de comunicação e programas educativos em escolas e universidades, bem como nos meios de comunicação social, que difundem a percepção de que se vive continuamente sob ameaça e transmitem uma noção de defesa e segurança meramente armada.
Todavia, «quem ama verdadeiramente a paz ama também os inimigos da paz». [6] Assim, Santo Agostinho recomendava não destruir pontes e não insistir com repreensões, preferindo a via da escuta e, na medida do possível, do encontro com as razões dos outros. Sessenta anos atrás, o Concílio Vaticano II chegava à sua conclusão com a consciência da urgência de um diálogo entre a Igreja e o mundo contemporâneo. Em particular, a Constituição Gaudium et spes chamava a atenção para a evolução da prática bélica: «O perigo peculiar da guerra hodierna está em que ela fornece, por assim dizer, a oportunidade de cometer tais crimes àqueles que estão de posse das modernas armas científicas; e, por uma consequência quase fatal, pode impelir as vontades dos homens às mais atrozes decisões. Para que tal nunca venha a suceder, os Bispos de todo o mundo, reunidos, imploram a todos, sobretudo aos governantes e chefes militares, que ponderem sem cessar a sua tão grande responsabilidade perante Deus e a humanidade». [7]
Ao reiterar o apelo dos Padres conciliares e considerando o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis, constatamos que os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar radicalizaram a tragédia dos conflitos armados. Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas. É uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida. É preciso denunciar as enormes concentrações de interesses económicos e financeiros privados que estão a empurrar os Estados nessa direção; mas isso não é suficiente, se ao mesmo tempo não for promovido o despertar das consciências e do pensamento crítico. A Encíclica Fratelli tutti apresenta São Francisco de Assis como exemplo desse despertar: «Naquele mundo cheio de torreões de vigia e muralhas defensivas, as cidades viviam guerras sangrentas entre famílias poderosas, ao mesmo tempo que cresciam as áreas miseráveis das periferias excluídas. Lá, Francisco recebeu no seu íntimo a verdadeira paz, libertou-se de todo o desejo de domínio sobre os outros, fez-se um dos últimos e procurou viver em harmonia com todos». [8] É uma história que quer continuar em nós e que exige unir esforços para contribuir mutuamente para uma paz desarmante, uma paz que nasce da abertura e da humildade evangélica.
Uma paz desarmante
A bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança. O mistério da Encarnação, que tem o seu ponto mais extremo de esvaziamento na descida aos infernos, começa no ventre de uma jovem mãe e manifesta-se na manjedoura de Belém. «Paz na terra», cantam os anjos, anunciando a presença de um Deus indefeso, pelo qual a humanidade só pode descobrir-se amada cuidando d’Ele (cf. Lc 2, 13-14). Nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um filho. E talvez seja justamente o pensamento nos nossos filhos, nas crianças e também naqueles que são frágeis como elas, que nos traspassa o coração (cf. Act 2, 37). A este respeito, o meu venerado Predecessor escrevia que «a fragilidade humana tem o poder de tornar-nos mais lúcidos em relação ao que dura e ao que passa, ao que faz viver e ao que mata. Talvez por isso tendamos tão frequentemente a negar os limites e a fugir das pessoas frágeis e feridas: elas têm o poder de questionar a direção que escolhemos, como indivíduos e como comunidade». [9]
São João XXIII foi o primeiro a introduzir a perspectiva de um desarmamento integral, alcançado somente através da renovação do coração e da inteligência. Assim escreveu ele na Carta encíclica Pacem in terris: «Todos devem estar convencidos de que nem a renúncia à competição militar, nem a redução dos armamentos, nem a sua completa eliminação, que seria o principal, de modo nenhum se pode levar a efeito tudo isto, se não se proceder a um desarmamento integral, que atinja o próprio espírito, isto é, se não trabalharem todos em concórdia e sinceridade, para afastar o medo e a psicose de uma possível guerra. Mas isto requer que, em vez do critério de equilíbrio em armamentos que hoje mantém a paz, se abrace o princípio segundo o qual a verdadeira paz entre os povos não se baseia em tal equilíbrio, mas sim e exclusivamente na confiança mútua. Nós pensamos que se trata de objetivo possível, por tratar-se de causa que não só se impõe pelos princípios da reta razão, mas que é sumamente desejável e fecunda de preciosos resultados». [10]
Este é um serviço fundamental que as religiões devem prestar à humanidade sofredora, vigiando sobre a crescente tentativa de transformar em armas até mesmo pensamentos e palavras. As grandes tradições espirituais, assim como o reto uso da razão, fazem-nos ir além dos laços de sangue e étnicos, ou daquelas fraternidades que reconhecem apenas quem é semelhante e rejeitam quem é diferente. Hoje vemos como isso não é óbvio. Infelizmente, faz parte do panorama contemporâneo, cada vez mais, arrastar as palavras da fé para o embate político, abençoar o nacionalismo e justificar religiosamente a violência e a luta armada. Os fiéis devem refutar ativamente, antes de tudo com a sua vida, estas formas de blasfémia que obscurecem o Santo Nome de Deus. Por isso, juntamente com a ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecuménico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas. Em todo o mundo, é desejável que «cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão». [11] Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa.
Por outro lado, isso não deve desviar a atenção de todos da importância da dimensão política. Aqueles que são chamados a assumir responsabilidades públicas, nos mais altos e qualificados cargos, investiguem «a fundo qual a melhor maneira de se chegar à maior harmonia das comunidades políticas no plano mundial; harmonia, repetimos, que se baseia na confiança mútua, na sinceridade dos tratados e na fidelidade aos compromissos assumidos. Examinem de tal maneira todos os aspectos do problema para encontrarem no nó da questão, a partir do qual possam abrir caminho a um entendimento leal, duradouro e fecundo». [12] É o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.
Hoje, a justiça e a dignidade humana estão, mais do que nunca, expostas aos desequilíbrios de poder entre os mais fortes. Então, como viver num tempo de desestabilização e conflitos, libertando-se do mal? É necessário motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança, combatendo a difusão de «atitudes fatalistas a respeito da globalização, como se as dinâmicas em ato fossem produzidas por forças impessoais anónimas e por estruturas independentes da vontade humana». [13] Se, efetivamente, «a melhor maneira de dominar e avançar sem entraves é semear o desânimo e despertar uma desconfiança constante, mesmo disfarçada por detrás da defesa de alguns valores», [14] deve se contrapor a tal estratégia o desenvolvimento de sociedades civis conscientes, de formas de associativismo responsável, de experiências de participação não violenta, de práticas de justiça restaurativa em pequena e grande escala. Leão XIII já o salientava claramente na Encíclica Rerum novarum: «A experiência que o homem adquire todos os dias da exiguidade das suas forças, obriga-o e impele-o a agregar-se a uma cooperação estranha. É nas Sagradas Letras que se lê esta máxima: “Mais valem dois juntos que um só, pois tiram vantagem da sua associação. Se um cai, o outro sustenta-o. Desgraçado do homem só, pois; quando cair, não terá ninguém que o levante” ( Ecl 4, 9-10). E esta outra: “O irmão que é ajudado por seu irmão, é como uma cidade forte”» ( Pr 18, 19). [15]
Que isso seja um fruto do Jubileu da Esperança, que levou milhões de seres humanos a redescobrirem-se peregrinos e a iniciarem em si mesmos aquele desarmamento do coração, da mente e da vida, ao qual Deus não tardará em responder, cumprindo as suas promessas: «Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 4-5).
Vaticano, 8 de dezembro de 2025
LEÃO PP. XIV
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[1] Cf. Bênção “Urbi et Orbi”, Loggia central da Basílica de São Pedro (8 de maio de 2025).
[2] Agostinho de Hipona, Sermo 357, 3.
[3] Ibid., 1.
[4] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963), 111.
[5] Cf. SIPRI Yearbook: Armaments, Disarmament and International Security (2025).
[6] Agostinho de Hipona, Sermo 357, 1.
[7] Conc. Ecum. Vat. II, Cost. past. Gaudium et spes, 80.
[8] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 4.
[9] Id., Carta ao Diretor do jornal italiano “Corriere della Sera” (14 de março de 2025).
[10] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963), 113.
[11] Discurso aos Bispos da Conferência Episcopal Italiana (17 de junho de 2025).
[12] João XXIII, Carta enc. Pacem in terris (11 de abril de 1963), 118.
[13] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate (29 de junho de 2009), 42.
[14] Francisco, Carta enc. Fratelli tutti (3 de outubro de 2020), 15.
[15] Leão XIII, Carta enc. Rerum novarum (15 de maio de 1891), 37.
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